Abstract
Antecedentes: A regulação da saúde no Brasil tem sido desenvolvida com o objetivo de melhorar a prestação de serviços, garantindo acesso e qualidade da saúde para a população. Muitos são os desafios relacionados aos modelos regulatórios que se constituíram no Brasil, evidenciando as dicotomias do sistema (público e privado), a relação com profissionais de saúde, o protagonismo dos pacientes, a diversidade de tecnologias utilizadas e as dimensões do acesso e qualidade (Freire, et. al.,2020). O acesso de pacientes requer processos organizativos potentes, que devem considerar a complexidade e a gravidade do diagnóstico, as características dos pacientes e a diversidade dos territórios e redes de atenção (Cecílio, et.al,2024). Os navegadores oncológicos, têm sido estudados em alguns países e no Brasil. Nos interessou olhar estes atores e sua contribuição na integralidade do cuidado aos pacientes e a seus itinerários terapêuticos (Shejila, et.al.,2020). Os navegadores de cuidado na traçadora oncológica, podem apoiar a construção de um modelo acolhedor e resolutivo de regulação em saúde, assegurando níveis de qualidade adequados e contribuindo para a ampliação do acesso e do protagonismo dos pacientes. A proposta de inclusão de navegadores como política de gestão nos territórios e de apoio a longitudinalidade do cuidado nas redes de atenção, se constitui como importante e desafiadora ferramenta de gestão, que se articula com os princípios da regulação em saúde, de forma a racionalizar recursos em um sistema com modelo de atenção fragmentado, fortemente especializado, dispendioso e pouco efetivo para a saúde das pessoas e para a singularidade dos territórios.
Abordagem: Revisão sobre o tema, mapeando a literatura existente, identificando lacunas de conhecimento e conceitos-chave. O trabalho abordou a inclusão da navegação do cuidado em sistemas de saúde, incluindo a navegação comunitária de pacientes, navegação de pacientes nos serviços, navegação de pacientes nos sistemas de saúde e nos complexos reguladores. Triangulamos os resultados com uma revisão normativa das políticas públicas que tratam da navegação no SUS, Brasil.
Resultados Preliminares: A navegação do cuidado foi utilizada como apoio aos usuários, no intuito de aumentar adesão e sucesso do tratamento. Têm como maior função identificar barreiras enfrentadas pelos usuários nos territórios para acessar o cuidado e reduzir atrasos no início do tratamento. O navegador do cuidado, surgiu na área da oncologia, utilizando conhecimentos especializados e experiência clínica, proporcionando cuidado focado nos aspectos físicos, sociais e emocionais, guiando usuários, familiares e cuidadores para a tomada de decisão em conjunto com equipes multidisciplinares. Além do manejo do cuidado, empoderou pacientes com informações e suporte, atuando como elo entre eles e os profissionais da equipe. O navegador do cuidado, com atribuições e especificidades em âmbito internacional, está em portarias da atenção especializada no Brasil, publicadas recentemente (Brasil, 2024). Nos interessou conhecer as experiências implementadas e apoiar sua introdução no cuidado aos usuários no Brasil. IMPLICAÇÕES: A partir da análise das evidências da literatura sobre navegadores do cuidado, apoiar a Política Nacional de Atenção Especializada (Brasil, 2023) na escolha de caminhos que qualifiquem as políticas de cuidado e diminuam iniquidades em saúde no Brasil.
Referem-se a resultados preliminares da Pesquisa FAPESP PPPP de Avaliação da implementação da Política Nacional de Regulação do SUS: Barreiras e Facilitadores para a garantia do tempo oportuno na atenção oncológica no Estado de São Paulo
