Abstract
O autocuidado, um conceito central na enfermagem, promove a saúde, previne doenças e capacita os indivíduos a assumir um papel mais proativo na gestão da sua saúde, reduzindo a procura por cuidados secundários. Entre os adultos de 45-64 anos, este papel é particularmente significativo devido aos desafios enfrentados, incluindo a prevalência de doenças crónicas, limitações funcionais e baixos níveis de satisfação com os serviços de saúde. Em Portugal, estas questões são potenciadas por uma perceção negativa da saúde e pela falta de estratégias de apoio ao autocuidado. Este estudo aborda estas lacunas, propondo um modelo integrado que combina dimensões multidisciplinares e centradas na pessoa para promover autonomia e bem-estar.
O projeto articula-se com programas nacionais e internacionais, como o Plano de Ação do Envelhecimento Ativo e Saudável e a Agenda 2030, contribuindo para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), nomeadamente Saúde e Bem-Estar (ODS 3) e Redução de Desigualdades (ODS 10). O autocuidado é enquadrado como um investimento estratégico, com impacto na redução dos custos de saúde, na melhoria da funcionalidade e no reforço da resiliência dos sistemas de saúde. Este modelo integra variáveis como funcionalidade, qualidade de vida e práticas de autocuidado, avaliando simultaneamente o impacto das intervenções de enfermagem em adultos de meia-idade.
A investigação adota uma metodologia robusta, composta por uma revisão sistemática da literatura e três estudos quantitativos sequenciais, transversais e descritivos. Estes estudos permitem uma avaliação integrada das necessidades de autocuidado, das condições de saúde e dos resultados das intervenções de enfermagem. A amostra (527 participantes da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central), será avaliada através de instrumentos validados, como o WHODAS2.0, o SF-36 e a Escala de Autocuidado de Riegel. Estas ferramentas asseguram uma recolha rigorosa de dados sobre funcionalidade, saúde e práticas de autocuidado.
O modelo introduz uma abordagem inovadora ao incorporar Indicadores Sensíveis aos Cuidados de Enfermagem (ISCE), concebidos para avaliar objetivamente o impacto dos cuidados de enfermagem no bem-estar, autonomia e funcionalidade. Esta inovação garante que os resultados reflitam as condições da amostra e forneçam evidências mensuráveis para melhorar a prática clínica e informar políticas públicas.
A escalabilidade internacional é uma prioridade central, assegurando que o modelo se adapte a diferentes contextos culturais e geográficos, respeitando as especificidades locais. Este fator amplia o impacto do estudo, posicionando-o como uma solução replicável para enfrentar desafios globais associados ao envelhecimento ativo.
Espera-se que os resultados preliminares forneçam uma base sólida para a criação de modelos de cuidados de enfermagem centrados na pessoa que promovam a autonomia e a participação ativa no autocuidado. Estes modelos contribuirão para estratégias de intervenção eficazes e para a melhoria global da experiência de cuidados e da eficiência dos sistemas de saúde.
A sua implementação poderá servir como base para futuras investigações, expandindo o impacto do autocuidado a outros grupos e contextos. Ao alinhar-se com metas globais e ao utilizar ferramentas validadas e ISCE, este estudo contribui para o avanço científico e para a transformação dos sistemas de saúde em modelos mais equitativos, resilientes e centrados na pessoa.
