
Lugar De Fallecimiento Y Factores Asociados En Un Sistema De Medicina Domiciliaria Del Hospital Italiano De Buenos Aires, Argentina.
Abstract
Antecedentes: As necessidades das pessoas em luto por perdas significativas impõem ao Sistema Nacional de Saúde uma prioridade relacionada com o risco de desenvolver Perturbação de Luto Prolongado (PLP), pelo que é urgente agir.
Abordagem: A literatura sugere-nos que nem todos os processos de luto decorrem de uma forma normal ou adaptativa, podendo ocorrer luto prolongado em 10 a 20% da população enlutada e que, pelo menos, 30% dos utentes de saúde mental em ambulatório evidenciam luto complicado. De forma a prevenir PLP, a nossa equipa desenvolve, desde Dezembro de 2016, um projeto multidisciplinar, com a finalidade de garantir apoio estruturado no luto, identificar e encaminhar precocemente os enlutados com fatores de risco ou com critérios de PLP, para apoio psicológico especializado.
O projeto é dirigido às pessoas enlutadas (cuidadores principais) dos utentes acompanhados pela Equipa de Cuidados Continuados Integrados (ECCI) e Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos (ECSCP).
Preconiza apoio pelo período de um ano, através de visitas domiciliárias, contactos telefónicos e apoio psicológico estruturado conforme o preconizado pelo algoritmo de intervenção no luto. O algoritmo consiste no contato de condolências, pelo gestor de caso, na primeira semana após o óbito do utente. A primeira visita domiciliária é realizada um mês depois. Segue-se um contato telefónico por um dos elementos do projeto aos três meses após o óbito. As visitas subsequentes efectuam-se aos 6 e 12 meses (aplicado o questionário de avaliação de luto prolongado PG13). Durante este processo, na presença de factores de risco e/ou critérios de PLP, o enlutado é encaminhado para apoio da Psicóloga da equipa.
O projeto contempla ainda ações de formação dirigidas aos cuidadores formais das parcerias da comunidade da área de abrangência da Unidade de Cuidados na Comunidade, cuidadores informais e participação em congressos e aulas integradas em Faculdades.
Resultados: Em 2023, dos 81 enlutados, aos 3 meses após o óbito, foram encaminhados 2 enlutados para apoio especializado, aos 6 meses 4 enlutados, e aos 12 meses 2 enlutados. Os restantes enlutados evidenciaram processo de luto adaptativo.
A intervenção desenvolvida pela equipa tem contribuído para a existência de maior percentagem de enlutados com processo de luto adaptativo, sugerindo que este é facilitado pelo acompanhamento estruturado e pelas estratégias desenvolvidas aquando das visitas aos enlutados, nomeadamente a relação de ajuda (Escuta ativa, ventilação das emoções, apoio emocional, incentivo ao auto cuidado e esclarecimento de dúvidas) e a abordagem cognitivo-comportamental focada no “cuidado de si”.
Implicações: Salienta-se a importância de uma intervenção individualizada, aos enlutados acompanhados pelas equipas de saúde, promotora da vivência de processos de luto adaptativos.
O apoio no luto exige um cuidado especializado sustentado em formação avançada nesta área, que facilite a avaliação e respetivo encaminhamento, aliado a uma boa relação terapêutica que se estabelece durante o período de intervenção.
O luto pode gerar feridas invisíveis, que podem condicionar o bem-estar da pessoa. Espera-se que sejam criadas condições para o desenvolvimento deste tipo de dinâmicas nos serviços, com ganhos em saúde e redução de custos para o Sistema Nacional de Saúde.
© 2026 Flavio Zurbrigk, Javier Saimovici, Monica Senillosa, Carla Zumpichiatti, Ivan Huespe, published by Ubiquity Press
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