Abstract
O acesso aos cuidados paliativos, consagrado como um direito humano, é ainda assimétrico e insuficiente ao nível mundial. Definem-se como cuidados de saúde holísticos, ativos, necessários à pessoa em sofrimento (e suas famílias) causado por todos os tipos de doenças graves, em todos os ambientes de cuidados.
De acordo com a OMS, anualmente, estima-se que 57 milhões de pessoas necessitam de cuidados paliativos. Destes, apenas cerca de 14% os recebem e sabemos que a necessidade global de cuidados paliativos continuará a crescer como resultado do envelhecimento das populações
A maioria dos doentes em fim de vida prefere ter os últimos cuidados e morrer em casa, junto da família, com maior autonomia e maior dignidade. A maioria dos familiares dos doentes também o prefere (Pinto et al, 2024). No entanto, um estudo internacional recentemente publicado, analisou dados relativos à morte de mais de 100 milhões de pessoas, com idades acima dos 18 anos, entre 2012 e 2021e revelou que Portugal é onde menos se morre em casa apesar do investimento em paliativos.
No hospital, o custo médio por doente, em internamento, no último ano de vida é de 9.318,00 €, ao passo que no ambulatório é 656,00 € (Antunes, 2015).
Verifica-se que a articulação de cuidados entre as equipas ainda é insuficiente, que a comunicação é pobre e burocrática, que o foco ainda é nos profissionais e não no doente e família e, por isso, o percurso do doente é desintegrado, acarretando sofrimento acrescido para o doente e família, com consequências ao nível da qualidade de vida, recurso ao Serviço de urgência e hospitalizações desnecessárias.
O Percurso que propomos implica um novo modelo de cuidados, de articulação entre cuidados de saúde primários e cuidados hospitalares (Equipas especializadas em cuidados paliativos e 7 Unidade de Cuidados na Comunidade piloto da ULS Coimbra) em torno do doente e família no domicílio.
Para que haja coordenação dos cuidados e continuidade dos mesmos haverá elaboração e Partilha de Plano Individualizado de Cuidados entre todos os intervenientes. Para isso será implementado um programa de formação para capacitar os Enfermeiros das UCC para o plano assistencial, em contexto domiciliário, aliviando o sofrimento do doente e família, para que os cuidados sejam prestados pelas equipas certas, no momento em que o doente mais necessita e no local em que prefere.
Este percurso exige a adoção de novos canais de comunicação e inclui tecnologias facilitadoras para a realização de teleconsultas conjuntas com prestadores de cuidados no domicílio, o doente e as equipas hospitalares, a realização de conferências familiares no domicílio e Reuniões regulares inter-equipas multidisciplinares.
