Abstract
Introdução: O alargamento do modelo de ULS a todo o SNS representa uma mudança de paradigma transitando-se de financiamento baseado em quantidade de atos para um modelo baseado em capitação, impondo uma nova perspetiva relativamente aos cuidados de saúde. É, por isso, incompatível com o actual modelo de CRI baseado em quantidade de atos.
A filosofia VBHC surge assim como a metodologia a adotar destacando indicadores que refletem o valor aportado aos doentes, que permitem demonstrar as melhorias após as interações com o SNS.
Urge, portanto, que as instituições se adaptem a esta nova realidade, desenvolvendo ferramentas que permitam a recolha de informação e a prestação dos cuidados visando a satisfação das necessidades dos doentes. Este trabalho pretende mostrar a nossa trajetória rumo a esse objetivo.
Métodos: O nosso plano para implementação de VBHC na nossa instituição segue os seguintes passos:
1.Criação de condições internas para a promoção de Clínicas Multidisciplinares através da sua inclusão no Regulamento Interno.
2.Divulgação por toda a instituição da metodologia VBHC.
3.Desenvolvimento da infraestrutura de TI para concentração da informação numa única base de dados.
4.Construção de uma plataforma que permita a recolha, tratamento de PROM e a exibição de dados em tempo real.
5.Definição de novas Clínicas, começando pelo desenho das “pathways”, escolha de indicadores de desempenho, e integração com a infraestrutura de TI.
6.Criação de um dashboard que exiba PROM, CROM, PREM e dados financeiros, organizados por Clínicas.
7.Criação de uma instrução de trabalho normalizada para a aprovação das Clínicas pelo CA.
8.Desenvolvimento de trabalho sob a nova estrutura, com decisões médicas ao nível individual; avaliação da qualidade com KPI baseados em valor, disponibilização de dados para aprovação pelas Comissões de Farmácia e Terapêutica e de Normalização de Dispositivos e acordos de partilha de risco com fornecedores de produtos com maior impacto económico.
9.Oficialização das Clínicas Multidisciplinares como unidades autónomas da ULSGE.
10.Conversão das Clínicas Multidisciplinares em CRI para transformação dos modelos de reembolso.
Resultados: À data de hoje estão a funcionar 5 Clínicas Multidisciplinares (Linfomas/Leucemias; Mielomas; HIV, Patient Blood Management e Insuficiência Cardíaca), tendo sido recrutados 1880 doentes, com medição sistematica de PROM, CROM e PREM. Há mais 20 clínicas em preparação, seguindo os passos expostos.
Conclusões: Ao contrário do modo de pagamento por quantidade, que favorece as situações cirúrgicas e técnicas, virtualmente todos os cuidados de saúde são mensuráveis por este método, permitindo à ULS assumir uma política de melhoria contínua e aos pagadores um sistema de remuneração proporcional à qualidade entregue.
Esta filosofia é particularmente válida para doenças crónicas, incentivando a promoção da saúde, a reabilitação, recuperação de agudizações, ligação entre doentes e profissionais, maior humanização dos cuidados, com os doentes no centro do um processo de melhoria contínua.
Haverá também o Serviço de Promoção de Valor em Saúde que, monitorizará dos CRI numa ótica de auditoria clínica independente, para promover a melhoria contínua na ótica da promoção de valor para os doentes e utentes.
