Abstract
Introdução: A hanseníase é uma doença tropical negligenciada, ela prevalece em áreas de vulnerabilidade social e econômica e é frequentemente estigmatizada, o que dificulta o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz. A Estratégia Global para Hanseníase 2021-2030, desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde busca eliminar a hanseníase como problema de saúde pública, com metas ambiciosas para reduzir novos casos, especialmente entre crianças e adolescentes. Objetivo: Identificar a frequência e perfil sociodemográfico de casos de hanseníase em crianças e adolescentes igual ou menor que 14 anos no Brasil. Método: Trata-se de um estudo retrospectivo do tipo descritivo com dados secundários de abordagem quantitativa no qual foram analisadas a frequência de ano de notificação de hanseníase na faixa etária de 0 a 14 anos nos últimos dez anos (2014-2023) no Brasil. Foram consideradas as seguintes variáveis para análise do perfil sociodemográfico: regiões brasileiras, sexo, raça, idade, escolaridade, como também casos vulneráveis de gravidez na adolescência. Os critérios de inclusão foram: indivíduos com notificação e com diagnóstico de hanseníase de 2014 a 2023 e os critérios de exclusão foram: brasileiros residindo no exterior, sem registro de dados no site DATASUS. Resultados e discussão: Foram registradas 16.951 notificações ao longo do período estudado. Os resultados mostraram uma leve oscilação na notificação de casos ao longo dos anos, com maior prevalência nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. A maioria dos casos foi registrada em crianças e adolescentes pardos e negros, refletindo desigualdades sociais e raciais. Além disso, observou-se um número preocupante de casos em adolescentes grávidas, o que levanta questões sobre a relação entre vulnerabilidade social e a progressão da doença. A análise também revelou que a maior parte dos casos diagnosticados necessitou de tratamento poliquimioterápico multibacilar, sugerindo um diagnóstico tardio em muitos casos. Conclusão: Embora tenham sido feitos progressos, a hanseníase continua a ser um desafio de saúde pública, especialmente em crianças e adolescentes, evidenciando a necessidade de estratégias mais eficazes de controle e prevenção, além de maior equidade no acesso às tecnologias de saúde digital para o diagnóstico precoce.
